Reflexões



Preservação Ambiental, uma luta que também é sua.


Hábitos que se modificados podem ajudar a cuidar dos recursos naturais de que precisamos. Afinal, este é o único planeta que temos.

Através dos tempos, as civilizações vêm se desenvolvendo com dois objetivos básicos: viver mais e com melhor qualidade de vida. O conhecimento e a tecnologia trouxeram ao homem benefícios fundamentais no que tange a saúde e o conforto. Tais conhecimentos trouxeram também a consciência de que as consequências das interações do homem com o meio ambiente são inúmeras e complexas. Entretanto, constatar, lançar idéias e criticar são atitudes mais fáceis do que realizar. Como dizia Fernandinho IV de Bourbon: "É mais fácil perder o trono que o hábito". Ele certamente sabia o que estava falando, considerando que perdeu o trono. Portanto, mudar nossa relação com o meio ambiente certamente não é fácil.

No mundo ocidental, onde estamos, viver melhor tem significado viver com um elevado nível de consumo e praticidade. Este consumo e praticidade têm representado uma exploração indiscriminada e devastadora da natureza, que comprometerá a qualidade de vida das futuras gerações.

Lavoisier disse há anos, e ninguém até hoje o contestou, que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Decorre daí que tudo que inventamos e produzimos, após utilização, há de voltar à natureza de alguma forma e/ou se tornar novamente um recurso para uma nova produção. Nosso desafio está justamente em fechar este ciclo adequadamente. O Programa das Nações Unidas para o meio ambiente afirma que estamos consumindo 42,5% acima da capacidade de reposição da biosfera. As projeções de falta de água no planeta são cada vez mais assustadoras. Água, simplesmente água. Esta substância fundamental à nossa sobrevivência.


EVITAR O DESPERDÍCIO, A NOVA FACE DA CIDADANIA

Mas como nós, simples cidadãos consumistas, podemos dar um primeiro passo para a mudança? Vejamos...

Temos a seguinte lógica: estamos usando mais recursos naturais do que deveríamos e a população mundial está aumentando. Logo, se não mudarmos nossos hábitos, estaremos nos conduzindo para uma situação insustentável. Tentemos fazer cada um a nossa parte. Mas o que isso significa? Perder conforto e qualidade de vida? Será isto verdade?

Aproximadamente 70% da água do planeta é usada na agricultura. Logo, desperdiçar alimentos é desperdiçar água. Não desperdiçar alimentos reduz nosso conforto e qualidade de vida?

Alguns dos nossos hábitos, quando refletimos, tornam-se até engraçados. Por exemplo, usamos o automóvel para percorrer pequenas distâncias, consumindo combustível fóssil (aquele que polui muito e ataca a camada de ozônio!). Depois vamos à academia para andar sem sair do lugar, sobre uma esteira que precisa de energia elétrica para ser acionada.

A indústria vem, ao longo do tempo, em um constante processo de mudanças para atendimento ao mercado. A mudança de alguns desses hábitos fará com que alguns segmentos produtivos tenham que se adaptar à nova realidade. Desafio este que as indústrias já estão começando a enfrentar.


A MISTURA QUE VAI UNIR CONSUMO E BOM SENSO

Que tal experimentarmos "imaginar" que no futuro não poderemos simplesmente jogar no lixo os resíduos que geramos diariamente? Imagine que isto nos custará algum tipo de imposto muito caro e que desta forma teremos que planejar como gerar menos resíduos no nosso dia-a-dia. Certamente começaremos a nos recusar a levar para casa tantas embalagens, sacolas plásticas e demais bugigangas que normalmente recebemos. Consuma o que você precisa e gosta, mas não o que você realmente não precisa e não é importante e fundamental ao seu prazer e bem-estar. Valorize a qualidade do produto que você consome e não o que vem agregado a ele (embalagem, brindes, etc.).

Avalie sob este aspecto quantos resíduos você pode não gerar sem prejudicar a sua qualidade de vida.

Do ponto de vista de muitos, os fatos aqui apresentados podem parecer insignificantes com relação à preservação ambiental. Consideremos, porém, que uma mudança de hábito de milhões e milhões de habitantes do planeta, por menor que seja esta mudança, individual, certamente será representativa no cômputo geral, e estaremos desta forma contribuindo para reverter a tendência destruidora atual do meio em que vivemos.

O meio ambiente agradece!

" PRECISA ? "

Avaliemos hábitos comuns do nosso dia-a-dia.

  • Ao comprar um vidro de xarope, somos obrigados, na maioria dos casos, a levar junto um medidor de plástico que no tempo da vovó era apenas uma colher de sobremesa. Será que o uso do medidor é fundamental? Se não for, por que não comprarmos apenas um? Por que levar um a cada vidro de xarope que comprarmos? Será que não dá pra viver sem isto? Precisa?
  • A cada simpósio em que participamos, inclusive os ambientais, são inúmeros os materiais que levamos para casa (pastas, canetas, adesivos, etc.). Os profissionais que procuram se atualizar comparecendo com frequência a simpósios, acabam indiretamente aumentando seu potencial poluidor, considerando que não são capazes de consumir tantas pastas. O simpósio é importante. O material distribuído é? Precisa?
  • E quanto aos papéis? Observemos as regras impostas à apresentação de uma monografia: margens de 3 cm, proibido escrever no verso, etc. Gastamos no mínimo o dobro de papel necessário. Precisa?
  • Os exames médicos do passado, os mais simples pelo menos, vinham dobrados dentro de um envelope. Hoje os exames vêm com capa de papelão, preferencialmente com brilho (o que dificulta a reciclagem), dentro de um envelope (grande, considerando que o papel não é dobrado). Na entrega, a atendente ainda faz questão de nos entregar uma sacola plástica, só pra nos agradar. Precisa?
  • E os calendários? Continuamos fazendo calendários de papel alumínio que não temos ainda condição de reciclar! Precisa um calendário ser feito de papel alumínio?
  • Trocar um equipamento eletrônico ao invés de consertá-lo é mais barato. Será que isto é realmente verdade? Talvez seja, se pensarmos que teremos um equipamento novo e com garantia, normalmente de um ano. Mas e se computarmos a degradação ambiental que representa devolver ao ambiente os "restos de um equipamento eletrônico ainda com potencial de uso". Vale a pena? Precisa?


Escrito por: Suely Ferreira - Diretora Técnica da Tresi Ambiental.


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