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Hospitais e a responsabilidade pelo meio ambiente


Um estudo sobre resíduos de medicamentos nos esgotos, na água tratada e nas fontes naturais de água no Rio de Janeiro identificou a presença de agentes redutores de lípides, anti-inflamatórios e outros metabólitos de medicamentos.  Os rios mais importantes da Alemanha contêm elevadas concentrações de anti-inflamatórios, analgésicos, agentes redutores de lípides, além de diversos antissépticos e desinfetantes. Hospitais também produzem resíduos tóxicos sólidos, infecciosos, radioativos e são potenciais poluidores do ar e da água.


Alguns problemas relacionados à poluição por hospitais são bem conhecidos e devidamente regulados em vários países. É o caso do tratamento dos esgotos hospitalares e o descarte de materiais e tecidos infectantes, bem como de agentes prejudiciais como metais pesados e radioisótopos. No entanto, há várias outras fontes de poluição não regulamentadas, como é o caso do PVC, cuja incineração leva à liberação de dioxinas carcinogênicas, assim como de embalagens plásticas de soros e medicamentos que podem ser tóxicas para o organismo humano.


Hospitais e centros oncológicos são fontes de contaminação do ambiente por platina, a partir da excreção de drogas antineoplásicas. O maior risco ambiental, a partir dos resíduos hospitalares, é representado pelo chamado lixo infectante. Caracteriza-se pela presença de agentes biológicos como sangue e derivados, secreções e excreções humanas, tecidos, partes de órgãos, peças anatômicas, fetos, resíduos de laboratórios de análises e de microbiologia, de áreas de isolamento, de terapias intensivas, de unidades de internação, assim como materiais perfurocortantes. O lixo infectante deve ser separado do restante do lixo hospitalar, sendo o treinamento de funcionários para esta função uma exigência do Conselho Nacional do Meio Ambiente no Brasil. No entanto, desconhece-se a efetiva separação e destinação deste lixo pelos milhares de hospitais brasileiros, assim como pela maioria dos hospitais no mundo.


A incineração de lixo infectante é prática comum, porém o transforma em cinzas contaminadas com substâncias nocivas à atmosfera, como as dioxinas e os metais pesados, que aumentam a poluição do ar. O processo gera emissões que podem ser mais tóxicas do que os produtos incinerados.  Os incineradores são responsáveis por 60% das emissões de dioxina na atmosfera em todo o mundo. A incineração de plásticos, como o PVC, gera os chamados Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). Esses plásticos são utilizados na fabricação de materiais descartáveis, embalagens, tubos, conexões e muitos outros utensílios. Os POPs são relacionados a um grande número de efeitos deletérios ao meio, em particular a animais e seres humanos. Afetam negativamente os sistemas imunológico, reprodutor e nervoso, além de causar câncer. Tais poluentes mimetizam hormônios, como os sexuais e atuam sobre neurotransmissores e sobre a imunidade, podem provocar abortamentos por morte fetal, redução do peso e tamanho de recém-nascidos, alterações do comportamento e da inteligência de crianças.


A esterilização, ao invés da incineração, é uma alternativa válida e importante. No entanto, o seu elevado custo faz com que seja pouco utilizada. A colocação deste lixo em valas assépticas é considerada uma opção igualmente válida, porém o espaço necessário e a devida fiscalização limitam o seu uso.



Fonte: Albert Einstein
HAE - Resíduo hospitalar


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Marcos Criação