Notícias



CEBDS lança publicação sobre biodiversidade na COP 11


O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou, durante evento paralelo na COP 11, na Índia, a publicação "Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos: a experiência das empresas brasileiras". O evento aconteceu na principal sala da Conferência e contou com a participação de 70 pessoas. Entre os palestrantes, Francisco Gaetani, secretário-executivo Ministério Meio Ambiente; e David Stuermann, secretário da Convenção sobre Diversidade Biológica, além da vice-presidente do CEBDS, Mariana Meirelles; e da coordenadora da Câmara Temática de Biodiversidade e Biotecnologia do CEBDS, Fernanda Gimenes.


No debate sobre o que deve ser o futuro dos serviços ecossistêmicos, a consultora do CEBDS Daniela Lerda foi a moderadora do painel que contou com a participação de Jonh Hutton, diretor da UNEP; Karla Camargo, gerente de Relações Institucionais da Syngenta; Frineia Rezende, coordenadora de Sustentabilidade da Votorantim; Mathieu Le Noir, gerente da Veolia Water; e Ganesan Subramanian Karumanasseryrepresentante da Monsanto da Índia.


Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos

A publicação teve como base projeto desenvolvido pela Câmara Temática de Biodiversidade do CEBDS, que envolveu algumas empresas associadas ao longo de dois anos e resultou num estudo sobre a incorporação do tema na gestão das companhias, com a apresentação de cases práticos. O levantamento foi realizado com 22 grandes empresas de 10 diferentes setores da economia (energia, serviços, mineração, papel e celulose, óleo e gás, holding multissetorial, agrícola, química, equipamentos e cosméticos).


Já adotada por companhias como Alcoa, Petrobras, Vale, EBX e Votorantim, essa nova abordagem resulta em avaliações precisas do impacto e da dependência da atividade econômica em relação aos serviços ambientais, o que permite à empresa avaliar riscos e oportunidades em seus negócios. Os recursos naturais são reconhecidamente bens cada vez mais escassos e estratégicos. "Ao conhecer o real valor econômico de um ecossistema, uma empresa pode fazer, por exemplo, uma previsão de quanto irá realmente ter de prejuízo com a perda ou diminuição desse espaço", explica Fernanda Gimenes, coordenadora da Câmara Temática de Biodiversidade e Biotecnologia do CEBDS. "Com isso, pode definir estratégias para a conservação desse serviço natural", completa.


O principal fator que leva as empresas brasileiras a incorporar os serviços ecossistêmicos aos seus sistemas de gestão são as oportunidades para os negócios. No levantamento, "oportunidades de negócios" (90%) foi apontado como o principal fator motivacional para a incorporação dos serviços ambientais nos processos de planejamento e gestão, seguido pela "dependência dos negócios em relação aos serviços ecossistêmicos" (70%), "melhoria da imagem" (65%) e a "redução de riscos" (65%).


Das empresas participantes da pesquisa, 47% afirmaram ter realizado em 2012 a valoração dos serviços ecossistêmicos, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Por outro lado, o levantamento também indica que ainda há uma grande dificuldade de conscientização da alta administração das empresas sobre o tema. Na pesquisa de 2011 e na de 2012, o resultado é o mesmo, e mostra que a principal barreira para a avaliação dos serviços ecossistêmicos é a falta de entendimento da importância disso pelo alto escalão das companhias. Em segundo e terceiro lugar vêm o desconhecimento das ferramentas e a ausência de exigências regulatórias.


Plano de Ação

A publicação apresenta estudos de casos de algumas empresas participantes. A Souza Cruz, por exemplo, criou uma ferramenta própria de avaliação de biodiversidade, chamada Biodiversity Risk and Opportunity Assesment, com o objetivo de identificar os impactos e dependências dos negócios na biodiversidade em paisagens agrícolas e produzir planos de ação e monitoramento. A empresa mapeou toda a sua área de interesse de manutenção da biodiversidade no Rio Grande do Sul.  Para reforçar os resultados de conservação da floresta natural, a companhia também incentiva seus mais de 30 mil produtores parceiros a eliminar o uso de lenha obtida com espécies nativas.


Já a ETH Bioenergia identificou, através de imagens satélites, 10 áreas de maior relevância ecossistêmica, que apresentavam um alto grau de degradação, sendo ocupadas com pastagens de gado ou culturas que dificultavam o processo de regeneração natural. A empresa implementou então o programa de Conectividade de Fragmentos Florestais, em que foram desenvolvidas ações de intervenção para reflorestamento com espécies nativas. No total, o Programa já promoveu a recuperação de mais de 700 hectares de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) com 82 espécies da flora nativa. O estudo também apresenta cases do Banco do Brasil, Suzano, Caixa Econômica Federal, Grupo EBX, Cemig, Vale e Votorantim.

Conheça a publicação: Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos



Fonte: CEBDS
Cebds cop 11

Publicado em 15/10/2012


webTexto é um sistema online da Calepino
Marcos Criação