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Europa pede adiamento de decisão sobre documento final da Rio+20


A União Europeia defendeu na noite desta segunda-feira (18) que a decisão sobre o documento final da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, seja adiada, ficando a cargo dos ministros, chefes de Estado e governo que vão se reunir de quarta a sexta no segmento de alto nível da conferência. O negociador-chefe da delegação brasileira na Rio+20, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, entretanto, negou que houvesse a possibilidade de a decisão ser adiada.

"O texto será fechado nesta noite", disse. O Brasil vai coordenar uma reunião plenária a partir da 0h para discutir o fim das negociações com as delegações de diplomatas dos 193 países que participam do encontro.


Em nota divulgada nesta noite, o comissário de meio ambiente da União Europeia, Janez Potocnik, e a ministra dinamarquesa de meio ambiente, Ida Auken, alegam que os ministros estão mais aptos para lidar com a negociação política.

"A UE vem se envolvendo de forma positiva, ativa e construtiva nas negociações, e continua comprometida pelo tempo que for necessário para alcançar resultados concretos e ambiciosos nas negociações da Rio+20. Agradecemos o esforço dos anfitriões brasileiros para facilitar as negociações no nível técnico. Mas acreditamos que nesses estágios finais, nossos colegas ministros estão em melhor posição para alcançar um acordo político com a substância necessária para levar o mundo rumo a um futuro sustentável."

A divergência sobre o texto provocou o adiamento para depois da meia-noite da reunião plenária marcada para as 23h, na qual o Brasil apresentaria uma nova redação do documento às delegações. Em entrevista, Janez Potocnick afirmou que o documento produzido até agora não é "ambicioso" o suficiente para ser apresentado aos chefes de Estado e Governo que fecharão à conferência.

"Há milhões de pessoas que esperam um texto que traga mudanças. Acreditamos que temos que usar todo o nosso tempo para conseguir um acordo. Queremos ações concretas e ambição."

O comissário europeu afirmou ainda que não pode concordar em fechar acordo em torno de um texto que não leu. "Nós só tivemos acesso a partes do novo texto, à parte das mudanças realizadas desde sábado, quando a primeira versão foi apresentada pelo governo brasileiro. Não lemos o texto novo. Temos que ler o texto", afirmou.

Potocnick também negou que a União Europeia esteja dificultando as negociações ao não se comprometer de forma concreta com o financiamento das ações voltadas ao desenvolvimento sustentável. "Nós estamos engajados na negociação. A Europa é aberta ao financiamento, mas acreditamos que trata-se de uma questão de mobilizar não apenas os países desenvolvidos, mas vários meios públicos e privados", disse.

Segundo ele, é preciso discutir a participação de empresas, instituições financeiras e governos no financiamento de ações de proteção ambiental. "Acreditamos que também é nosso dever, é parte da nossa obrigação, mas financiamento não é toda a questão. É preciso haver objetivos concretos no texto."

Mais cedo, o embaixador brasileiro disse que as negociações sobre o documento final do encontro estavam "avançando bem" e que os 193 países estão próximos de um acordo. Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (18), Figueiredo disse estar certo de que o texto será fechado nesta noite, um dia antes do prazo final para o término das negociações. "Estamos absolutamente convencidos de que o texto vai ser fechado esta noite", disse. Para ele, há "um ânimo muito positivo no sentido de encontrar as fórmulas finais que permitam os resultados que todos nós queremos."


O negociador-chefe do Brasil comparou o prazo das negociações a um jogo de futebol. "O tempo regulamentar terminou com o fim do Comitê Preparatório. Estamos agora na prorrogação e o tempo da prorrogação nunca é mais longo do que o jogo propriamente dito. Temos um tempo e o tempo é fechar esse texto antes da chegada dos chefes de Estado."

O embaixador disse que negocia a inclusão no texto de "cesta" de formas de financiamento para a implementação das ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, com fontes privadas de recursos.

"O que se maneja na área de meios de implementação é um conjunto de meios, portanto, não é apenas cooperação para o desenvolvimento, mas também a isso se soma outras modalidades, fundos de origem privada, fundos de instituições financeiras internacionais. Ou seja, múltiplas origens. Essa cesta de maneiras de financiamento que está sendo manejada no documento", disse.

De acordo com Figueiredo, um dos objetivos do Brasil nas negociações é conseguir fórmulas "ambiciosas" de implementação das ações. "Estamos na fase final de fechar fórmulas que atendam aos interesses de ambição, ambição que permita ambição na ação", disse.


O diretor do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Nikhil Seth, afirmou estar "otimista" com o andamento dos diálogos. "Ajustes menores ainda precisam ser feitos, mas estou otimista que poderemos concluir as negociações conforme o planejado", disse.


Ministros e assessores do Palácio do Planalto já começaram a chegar ao Riocentro, onde acontecem as negociações da Rio+20, para preparar a vinda da presidente Dilma Rousseff. A expectativa é de que ela tenha reuniões bilaterais com os chefes de Estado de China, Turquia e França.


Fonte: G1
G! Globo Natureza - Rio+20 Acordo final

Publicado em 19/09/2012


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