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EPA aprova regulação para cortar emissões do gás natural


A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos aprovou, em 18/04/2012, uma regulamentação que prevê a limitação das emissões de poços, locais de armazenamento e tubulações de gás natural.

A extração de gás natural passa por um processo chamado de fratura hidráulica ou fracking, que libera na atmosfera grandes quantidades de compostos orgânicos voláteis, poluentes, (ambos tóxicos para os seres humanos e meio ambiente) e gases do efeito estufa (GEEs), como o metano.

A regra é o primeiro grande esforço do governo norte-americano para combater a poluição do ar que está ligada à fratura hidráulica. De acordo com a agência, a regulamentação reduziria a emissão de poluentes tóxicos em 12 mil a 20 mil toneladas por ano, e a liberação de compostos orgânicos voláteis em 190 mil a 290 mil toneladas por ano.

As emissões de GEES, por sua vez, poderiam ser mitigadas em 28 a 44 milhões de toneladas por ano. Já a Associação Americana do Pulmão ressaltou que a diminuição nas emissões teria benefícios na saúde da população, principalmente dos que vivem perto das áreas de perfuração para extração de gás natural e petróleo.

No entanto, alterações na nova regra farão com que ela só entre em vigor integralmente a partir de janeiro de 2015. Essas mudanças foram celebradas pela indústria energética, que alegava anteriormente que haveria pouco tempo para fazer as transformações necessárias, além de reclamar que a aplicação da regulamentação custaria centenas de milhões de dólares.

"A EPA fez alguns melhoramentos nas regras que permitem que nossas companhias continuem a reduzir emissões enquanto produzem o petróleo e o gás natural que nosso país precisa", comentou Howard Feldman, diretor de assuntos regulatórios e científicos do Instituto Americano do Petróleo.

Gina McCarthy, diretora do Escritório de Ar e Radiação da agência, observou que com as alterações, é perfeitamente possível que o setor se adapte às novas regras. "Porque essas regulamentações dependem de tecnologias e práticas que já estão em uso por algumas companhias e são requeridas por alguns estados, elas são práticas, flexíveis, acessíveis e viáveis. O gás natural é essencial para nosso futuro de energia limpa", declarou McCarthy.

A diretora também afirmou que depois que a regulamentação entrar em vigor inteiramente, a indústria do gás natural poderia economizar entre US$ 11 e US$ 19 milhões por ano, já que o metano capturado poderia ser vendido.

Mas nem todo o setor energético se mostrou satisfeito com a regra. Kathleen Sgamma, vice-presidente de assuntos governamentais da Aliança Energética do Oeste, afirmou que os benefícios da nova norma são suplantados pelos custos, o que poderia prejudicar o desenvolvimento dessa indústria. "Empresas pequenas operam desproporcionalmente em tais condições, e essa regra pode fazer a exploração em novas áreas ser custo-proibitiva", disse.

Já grupos ambientalistas, apesar de acreditarem que a regulamentação é um passo a mais para se chegar a um ar mais limpo, também criticaram a regra, mas por acharem que a EPA fez muitas concessões ao setor do gás natural.

"Nos últimos meses, lobistas da indústria do gás tem tentado conseguir grandes isenções da regra com argumentos sobre o custo e a dificuldade de cumpri-las. Esses argumentos são falsos, e deixamos isso claro", enfatizou Ann Brewster, conselheira da Força-Tarefa do Ar Limpo.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mudancas_climaticas1/noticia=730291

Publicado em 20/04/2012


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