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Logística Reversa - A discussão começa a gerar frutos


A gestão dos resíduos poderá ser feita individualmente pelas indústrias, mas pensando em reduzir custos, os fabricantes de eletroeletrônicos se inspiraram em experiências na Europa e Japão, onde predomina a gestão coletiva, e criaram em julho passado a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos (Abree).  A entidade fará a gestão conjunta do pós-consumo de embalagens e produtos de nove associadas - entre elas Whirlpool (que atua no Brasil com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid), Eletrolux, Phillips, Panasonic -  que respondem juntas por 95% do mercado de refrigeradores, 80% de ar condicionado, 50% de máquinas de lavar e semiautomáticas.

Para o especialista em gestão de resíduos sólidos, Vanderlei Niehues, diretor da Abree, a gestão coletiva facilitará a operacionalização do plano, especialmente a tarefa do comércio, que necessitaria de muito mais infraestrutura (postos de coleta dos materiais devolvidos pelos consumidores) se tivesse de entregar aos fabricantes, separadamente, as embalagens e produtos descartados. O modelo foi defendido no grupo temático pela Confederação Nacional do Comércio Varejista, pela Fecomercio e pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 

Segundo Niehues, gerente de Sustentabilidade da Whirlpool - pioneira na gestão de resíduos do processo de produção por meio do Programa Resíduo Zero - a empresa não quer enviar para o aterro nem um quilo de resíduo e a meta é reciclar 100% dos rejeitos da fábrica. Ele busca levar à Abree sua experiência na área, que somada à das demais indústrias na gestão dos resíduos, está configurando o modelo do gerenciamento do pós-consumo.

Um dos pontos centrais é a divisão do custo de implantação e operacionalização da logística reversa entre indústria, comércio e governos. "Ao consumidor, caberá levar as embalagens e outros descartados aos pontos de coleta". Reconhece, no entanto, que o primeiro custo cairá sobre o consumidor, já que terá de devolver os materiais nos pontos de coleta espalhados no comércio. Para as lojas, a despesa será a montagem dos pontos de coleta e o transporte até a indústria. A partir daí, as fábricas assumirão o custo de separar esses materiais e levá-los aos recicladores. A reciclagem final também é responsabilidade da indústria.

Consulta aos órgãos ambientais dos 26 estados indicaram que a maior demanda por coleta recai sobre as geladeiras. O dado indicou necessidade de dividir as linhas de eletroeletrônicos por cores: branca (fogões, geladeiras), marrom (TV, áudio e imagem), verde (desktop, celulares, fax, notebook), azul (batedeiras, liquidificadores, ferros de passar). "Vamos tratar do pendrive à geladeira", afirma o relator do grupo temático dos eletroeletrônicos e diretor de Responsabilidade Socioambiental da Abinee, André Saraiva.

Segundo Mário Sebben, presidente da empresa Apliquim Brasil Recicle e membro do Grupo de Trabalho Temático de lâmpadas, há dois projetos em disputa para a implantação da logística reversa no segmento. Um concebido pelos grandes fabricantes, outro, pelos importadores. O primeiro, baseado em experiências europeias e defendido pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), tem custo mais elevado, que seria arcado integralmente pelo setor produtivo, transferindo o custo para o começo da cadeia, através da elevação de preços ao consumidor. "É um modelo, mais automático, mais fácil de pegar", acredita Sebben. Nele, o consumidor não arcaria com preço na devolução do produto e o governo ganharia mais com a arrecadação de impostos  gerada pela elevação do preço do produto. 

Porém, como dificuldade neste modelo estaria o controle das importações, hoje quase a totalidade do mercado - são apenas quatro fabricantes no País, contra 585 importadores, que importam anualmente cerca de 200 milhões de lâmpadas. O modelo prevê a criação de uma Gestora de Resíduos Independente, à qual seria reportada toda entrada de lâmpadas estrangeiras no País, com o pagamento antecipado do devido custo de reciclagem. "Exige anuência prévia, o que é um cerceamento não tarifário da importação e bate na Organização Mundial do Comércio", diz.

Já no modelo defendido pela Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi), concebido com base em um projeto piloto implantado em Caxias do Sul, os grandes usuários de lâmpadas (grandes empresas e órgãos públicos) continuariam arcando diretamente com os custos de reciclagem. Para o pequeno usuário, a responsabilidade pelo recolhimento ficaria por conta do comércio varejista, que poderia cobrar ou não por esse serviço ao consumidor final. Aqui, seriam beneficiados os lojistas, que podem usar a ação como marketing, além de aproveitar o momento da devolução para ter o cliente dentro de sua loja, eventualmente consumindo novos produtos. Como desvantagem, está a imensa pulverização do varejo, que dificulta o controle da destinação dos produtos recolhidos.

"Os dois modelos têm problemas, mas o governo terá que fazer uma escolha", diz o empresário. "Provavelmente o melhor a fazer é deixar que as entidades reunidas no GTT cheguem a um consenso, o que tornará mais ampla a adesão ao modelo escolhido", pois, segundo ele, se a decisão for tomada 'de cima para baixo', pode acabar em uma série de ações judiciais, por parte daqueles que se sentirem lesados, o que não é de interesse do governo.

Fonte: DCI

http://www.dci.com.br/modelos-de-gestao-em-debate-id287733.html

Publicado em 27/03/2012


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