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Sobe número de acidentes de trabalho, diz OIT.


 

Acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao trabalho já matam mais de 2 milhões de pessoas por ano e aumentam rapidamente em países em desenvolvimento como China, Brasil e México. O alerta é da Organização Mundial do Trabalho (OIT), que em conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) lança hoje um apelo para que os governos adotem estratégias nacionais de prevenção.

Segundo a OIT, o risco profissional cresce e 1,7 milhão de pessoas morrem por ano devido a doenças ligadas ao trabalho (como câncer provocado por exposição a substâncias tóxicas) e doenças contagiosas. O amianto continua matando 100 mil pessoas por ano no mundo. No setor agrícola, principal ramo de atividade econômica nos países pobres, quase 70 mil mortes são causadas por envenenamento devido ao emprego de pesticidas.

As mortes causadas por doença profissional são quatro vezes maiores que as provocadas por acidentes. Além disso, cerca de 268 milhões de acidentes de trabalho não-mortais são registrados anualmente, seguidos de pelo menos três dias consecutivos de folga. A OIT estima que a parte de indenizações e ausência de trabalho causadas por acidentes e doenças equivale a 4% do PIB mundial. Acidentes e doenças no trabalho diminuem nos países industrializados e em vários países emergentes, mas aumentam em áreas da Ásia e da América Latina com desenvolvimento rápido. Mas a OIT faz suas conclusões com base em dados que só vão até 2001.

Na China, os acidentes de trabalho mortais passaram de 73 a 90,5 mil entre 1998 e 2001. Na América Latina, o aumento de efetivo do setor de construção, principalmente no Brasil e no México, deflagrou uma forte progressão de acidentes mortais. No Brasil, por dados de quatro anos atrás, os acidentes fatais teriam sido de 14.895.

A entidade estima que as tragédias nesses países ocorrem, sobretudo pela falta de qualificação e formação dos trabalhadores, muitos deles chegando das zonas rurais, sem jamais terem visto as máquinas que vão usar e sem ter idéia dos riscos a que são submetidos.

IT e OMS sugerem que os governos reforcem ações de monitoramento, avaliem o peso da saúde no trabalho e estabeleçam um grau mínimo que deve ser seguido em matéria de prevenção e segurança no trabalho. A OIT prevê que o aumento do número de jovens (de 15 a 24 anos) e de idosos (a partir de 60 anos) que entrarão no mercado de trabalho nos próximos 15 anos poderá elevar mais as taxas de acidente profissional.

 

Fonte: Jornal "O Valor Econômico" - 27/04/05
Escrito por Assis Moreira

 


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