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Empresas consideram difícil cortar emissões de GEE fornecedores


Com a crescente preocupação com as mudanças climáticas e com as causas ambientais, cada vez mais empresas têm procurado práticas sustentáveis, como a redução de CO2, para gerirem seus negócios e se adequarem ao que os consumidores mais conscientes esperam delas.Mas será que essas iniciativas atingem toda a cadeia de suprimento das firmas?

Segundo um novo estudo do Carbon Disclosure Project (CDP), os fornecedores de empresas com planos de sustentabilidade estão investindo cada vez mais na redução de suas emissões, porém, o número ainda está longe ainda de ser satisfatório e pode resultar na perda de contratos.

De acordo com a análise, desenvolvida pela CDP e pela consultoria Accenture, enquanto 43% das 49 firmas multinacionais consultadas - entre elas a L'Oréal, a PepsiCo, a Philips e o Walmart - têm conseguido reduzir suas emissões anualmente, apenas 28% de seus fornecedores, dos 1864 entrevistados, têm feito o mesmo.

E isso apesar de 39% das empresas perceberem economias financeiras com seus planos de diminuição de emissões e 34,5% terem se beneficiado com novos fluxos de receita por causa da redução de emissões de seus fornecedores.

Enquanto isso, 30% das companhias declararam que as mudanças climáticas já afetaram suas cadeias de suprimento pelo menos no último ano, e 53% dos fornecedores responderam que o fenômeno deve causar ou já está causando aumento nos custos operacionais. Além disso, apenas 24% das empresas ajudam seus fornecedores a quantificar o retorno de investimentos em baixo carbono.

No entanto, o relatório mostra que a situação está melhorando. Em relação às firmas que têm estratégias para combater as mudanças climáticas, por exemplo, 90% incluíram essas orientações em seus contratos no último ano, contra 79% que o fizeram em 2010. Já 67% das companhias consultadas afirmaram que incorporaram a gestão de carbono em suas políticas de aquisição.

Além disso, em 2011, 39% das empresas entrevistadas disseram que iriam cancelar os contratos com fornecedores que não conseguissem cumprir os critérios ambientais formais dentro de cinco anos, contra 17% que responderam o mesmo em 2009.

"As companhias que criam um crescimento sustentável e rentável através de cadeias de suprimentos eficientes ficarão mais bem posicionadas em longo prazo, à medida que fazem cada vez mais das reduções de emissões de carbono não apenas o preço de entrada no mercado, mas um ponto de diferenciação competitiva", observou Gary Hanifan, líder de sustentabilidade global para cadeias de suprimentos da Accenture.

"À medida que as companhias examinam e modificam suas cadeias de suprimentos para fazê-las mais flexíveis e capazes de resistir a mudanças e efeitos de desastres naturais, elas precisam considerar também como suas cadeias de suprimento resistem ao escrutínio ambiental", acrescentou Hanifan.

O documento revela que no último ano, 63% das empresas afirmaram estar investindo na formação de seus funcionários para a gestão de carbono nas cadeias de suprimentos, um grande aumento em relação aos números de 2010 (41%) e 2009 (26%).

O relatório mostra também que, em 2011, 62% das empresas criaram políticas de incentivos para os fornecedores que tiveram estratégias de redução de emissões efetivas, contra 28% que fizeram isso em 2010 e 19% em 2009.

Outros dados do estudo apontam ainda que 50% das companhias têm ou estão desenvolvendo obrigações contratuais para fornecedores que incluem informações sobre a gestão de emissões de carbono.

Esse foi o primeiro ano que a CDP pontuou os fornecedores por seu desempenho em relação às emissões de CO2 e divulgou essa informação. Os pontos refletem a transparência das estratégias de mudanças climáticas dos fornecedores e suas ações para reduzir as emissões de carbono.

Os resultados indicam que os fornecedores norte-americanos tendem a ser substituídos quando uma empresa quer capitalizar as oportunidades de mudanças climáticas. Os fornecedores asiáticos e europeus marcaram, respectivamente, 52 e 53 pontos de 100, e os norte-americanos fizeram apenas 45 pontos pela mesma classificação.

No entanto, Frances Way, diretora de programa do CDP, argumenta que as mudanças que estão ocorrendo agora nas cadeias de suprimento só poderão ser sentidas em alguns anos, razão pela qual os resultados ainda não se fazer sentir nas avaliações.

"As companhias estão evoluindo a maneira que operam para capitalizar melhor as oportunidades das cadeias de suprimento de carbono eficientes. Uma mudança tão grande nos modelos de aquisição das companhias é encorajadora, mas, uma vez que essas tendências só estão emergindo agora, estamos ainda para ver um impacto transformador nas emissões dos fornecedores", concluiu Frances.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=729580

Publicado em 02/02/2012


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