Notícias



USP desenvolve selo verde para certificar Indústria Calçadista


As empresas calçadistas que querem tornar os seus produtos mais sustentáveis devem contar, ainda no primeiro semestre de 2012, com um novo instrumento de certificação. É o selo verde, elaborado pelo Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Universidade SP, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal).

Para obter a certificação, a indústria deve aderir ao conceito de calçado sustentável integralmente. Para tanto, ao ser fabricado, o produto deve respeitar em toda a cadeia produtiva os quatro pilares que formam a sustentabilidade (aspectos ambientais, sociais, econômicos e culturais).

De acordo com a coordenadora do LASSU, Tereza Cristina Carvalho, a indústria calçadista já começa a adotar modos de produção mais sustentáveis. "Alguns empresários já vislumbram que há um ganho econômico enorme. Além disso, o mercado externo está ficando mais exigente com essas práticas. É um diferencial competitivo no mercado", afirma.

Setor

Um estudo, realizado  sob orientação de Tereza por pesquisadores da USP e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla original em inglês) em parceria com a Assintecal, observou que o conceito de sapato sustentável varia segundo cada empresa. Vai desde o "eco shoes", fabricado por meio de processos ecologicamente corretos, até o "sapato biodegradável", que é transformado em adubo em cerca de cinco anos após ser enterrado. Segundo ela, uma vantagem do selo da Assintecal será padronizar este conceito.

O estudo constatou que, em média, o preço do sapato sustentável seria de 20% a 25% superior aos modelos tradicionais. Contudo, Tereza ressalta que a diferença existiria somente enquanto ainda são fabricados calçados que utilizam o modo de produção tradicional. "Se a empresa usar apenas uma linha de sapatos sustentáveis, não há escala", enfatiza.

Para convencer os consumidores sobre os benefícios da compra de um sapato sustentável, deve-se ocorrer um processo gradual de educação, de acordo com a pesquisa. A intenção é que o selo verde da Assintecal se torne uma forma de as pessoas associarem o calçado com as questões ligadas à sustentabilidade.

Aspectos

Para aderir ao selo verde as indústrias devem considerar alguns aspectos em toda a cadeia produtiva. No aspecto econômico, deve-se buscar uso racional de matérias-primas, economia de água e energia, além de produtividade justa.

No ambiental, começa-se pela não utilização de substâncias tóxicas, como o cromo presente no couro pelo tanino, por exemplo. 

Já para o lado social, a empresa deve atentar a questões como programas de saúde preventiva, segurança no trabalho, concessão de benefícios trabalhistas conforme a lei, tal quais bolsas de estudo e incentivos à educação, além de não utilizar mão de obra infantil.

Por fim, o aspecto cultural envolve o quanto a empresa interage de forma positiva com a comunidade, desenvolvendo ações para preservar a cultura local.


Fonte: Eco Desenvolvimento

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2012/fevereiro/usp-desenvolve-selo-verde-para-certificar

Publicado em 01/02/2012


webTexto é um sistema online da Calepino
Marcos Criação