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Acordo da COP17 foi, sim, significativo - mas não um "marco histórico"


As negociações que terminaram nessa madrugada, em Durban, África do Sul, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas - COP 17 - são aclamadas por alguns como "momento histórico", enquanto recebem duras críticas de grupos ambientalistas, que as consideram um fracasso do começo ao fim.

São duas avaliações extremas. A melhor perspectiva está num ponto intermediário. Foram dois os resutados da conferência. Os países se comprometeram com a criação de um novo marco legal para regulamentar as emissões de carbono, e ainda com a criação de um fundo de financiamento de ações climáticas. Grupos ambientalistas como o Greenpeace têm razão ao criticar esse segundo "feito". A ideia do fundo data da cúpula de Copenhague, realizada dois anos atrás. "Vieram a Durban com o simples objetivo de desenhar um mecanismo para recolher e distribuir o dinheiro. E nem isso conseguiram fazer", afirma a ong em nota publicada em seu site.

O consenso em torno da necessidade de um novo dispositivo legal para substituir o Protocolo de Kyoto, tratado sobre o tema hoje em vigor, não é desprezível. Desenhado em 1997, o Protocolo diz respeito a um mundo que não existe mais - um mundo em que China e Ìndia ainda não eram os maiores emissores de poluentes do mundo, ao lado dos Estados Unidos, e quando ainda fazia sentido obrigar apenas as velhas nações industrializadas a limitar suas emissões.

A promessa de que o acordo de Kyoto será deixado para trás é significativa, mesmo que os prazos para que isso ocorra sejam amplos: fim da discussão sobre o novo documento até 2015, com entrada em vigor até 2020."O acordo de Durban supera os limites do Protocolo de Kyoto e tem dimensão global. Oferece à Europa a possibilidade de constituir com as grandes economias emergentes do Brasil, China, Índia, México e África do Sul a plataforma para o desenvolvimento e a difusão das tecnologias e dos sistemas que possam garantir o crescimento econômico e menores emissões", afirmou o ministro de Meio Ambiente da Itália, Corrado Clini, em declaração divulgada em Roma, numa boa síntese do espírito da resolução. 

Ao mesmo tempo em que indica a existência de um consenso sobre o caminho a seguir, o resultado obtido em Durban deixa patente, mais do que nunca, que cúpulas realizadas com ministros do Meio Ambiente jamais serão capazes de produzir avanços espetaculares. As questões econômicas e políticas relacionadas aos problemas do clima e do aquecimento global são complexas demais. Dizem respeito a matrizes energéticas, padrões de desenvolvimento, compromissos econômicos e políticas sociais adotados pelos governos em arenas domésticas e internacionais. O recorte das conferências climáticas impede que todas essas questões sejam abordadas da maneira adequada. Sim, é verdade que em Copenhagen, em 2009, mais de cem chefes de estado estavam presentes - e a cúpula também foi um fracasso. Mas é apenas com o envolvimento de lideranças nesse nível que os verdadeiros "marcos históricos" nas discussões climáticas acontecerão.

Fonte: Veja

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/acordo-do-cop-17-foi-sim-significativo-mas-nao-um-marco-historico

Publicado em: 11/12/2011


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