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Recarbonização do Solo




Países precisam discutir "re-carbonização" do solo, diz Al Gore

Ex-vice-presidente dos EUA cita como exemplo ações dos povos indígenas da Amazônia, que enterram material orgânico para tornar a terra mais fértil e com menos carbono

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu no último dia 13/10/09 o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que debateu com empresários, ambientalistas e lideranças políticas seu "pensamento verde". 

Al Gore alertou que depois das discussões da 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-15), que ocorrerá em dezembro, na Dinamarca, o mundo terá que se voltar para uma questão ainda não discutida: a re-carbonização do solo.

Segundo ele, o processo de tornar fértil novamente o solo utilizado para a agricultura é o que garantirá sustentabilidade. "Os povos indígenas da Amazônia já enterram matéria orgânica e obtém uma terra preta, que é a mais fértil", explicou.

Clima

"A crise climática representa uma emergência planetária e um desafio para nossa inteligência moral", afirmou Al Gore. Na "corrida contra o tempo", ele reconhece que há algum progresso, mas que é preciso traduzir em aplicabilidade as ambiciosas metas dos países.

Na discussão sobre mudanças climáticas, Al Gore destacou três pontos que considera cruciais:

·  O aumento da população mundial, que há 100 anos era de 1,6 bilhão e saltou para 6,8 bilhões, atualmente;

·  Novas tecnologias, que está "um milhão de vezes mais poderosa", como exemplo a artilharia que foi substituída por armas nucleares;

·  Modo de pensar, que contempla horizontes no curto prazo, seja na política, economia, cultura, mídia etc.

Brasil

Al Gore não poupou elogios ao programa brasileiro de biocombustíveis, à produção de carros com tecnologia flexfuel (bicombustível) e às chamadas "tecnologias verdes" utilizadas pelo agronegócio no Brasil.

"Tenho que dar meus parabéns pela indústria de etanol e pela poderosa presença do Brasil na indústria automobilística. A indústria de São Paulo e do Brasil teve um forte de papel de liderança e mostrou que precisamos ir longe e rápido", salientou.

Ele revelou que seu próximo livro, "Our Choices" (Nossas Escolhas), que será lançado daqui a três semanas, trará fotos da produção de etanol.

Desmatamento

O norte-americano evitou criticar o desmatamento da Floresta Amazônica, ao reconhecer que os Estados Unidos têm muitos problemas relacionados ao meio ambiente. Entretanto, enfatizou que os brasileiros precisam reconhecer que a floresta tem outros valores além do da madeira.

"Cientistas encontraram nas plantas a cura para várias doenças e 90% delas foram achadas em florestas tropicais, como as do Brasil", alertou. Segundo Al Gore, o século 21 será o da biotecnologia, e ela será tão importante quanto a tecnologia da informação é hoje.

"A primeira vez que visitei a Amazônia, há quase 20 anos, fiquei impressionado como a questão do desmatamento era vista. Existem muitas nuances, mas hoje estou impressionado com as iniciativas do Presidente Lula para combater o desmatamento", reconheceu.

Líderes

"Tenho orgulho da relação entre os nossos países, que é muito boa". Apesar de admitir o pioneirismo do Brasil na produção de biocombustíveis, Al Gore, defende que o papel de líder ocidental seja dividido com os Estados Unidos, que também produzem etanol em larga escala a partir do milho.

Entretanto, a própria Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) reconhece que o etanol de milho reduz em apenas 20% os efeitos poluentes da gasolina, enquanto o etanol brasileiro de cana-de-açúcar apresenta redução de até 90%.

Legislação

Em processo de análise pelo Senado dos Estados Unidos, a lei que prevê ações de mitigação das mudanças climáticas naquele país ainda está sendo negociada. "O papel dos EUA e da China, os maiores poluidores, são cruciais neste debate", afirmou.

Al Gore acredita que a lei será aprovada antes da COP-15, mas não será suficiente. "Ela está na última etapa de negociação entre deputados e senadores e qualquer alternativa à lei seria inaceitável", ponderou.

Convergência

Na abertura do encontro, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, disse que os efeitos sociais, econômicos e ambientais das mudanças climáticas apresentam-se como grandes desafios desta e das próximas gerações.

"No âmbito das negociações da COP-15, o que se espera do Brasil são compromissos de erradicação do desmatamento ilegal, que representa 75% de nossas emissões, segundo o último inventário brasileiro sobre a questão", afirmou o líder empresarial.

Segundo ele, a Fiesp e o Ciesp "reafirmam sua responsabilidade em promover a melhoria da proteção ambiental e assumem o compromisso de intensificar a economia de baixo carbono dos setores produtivos que representam".


Fiesp - Informativo eletrônico - Edição 345

Data da publicação : 13/10/09


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