Reflexões



A meta que nos faz prosseguir


Consciência de que a preservação ambiental é importante sai pelo ladrão, mas a prática está longe do mínimo necessário. Estratégia, gestão, preservação…… palavras…. Entre boas gestões, inovação, evolução, decisões equivocadas e marketing puro, as grandes empresas caminham.


Não há como reduzir custos sem reduzir impactos ambientais, na maioria dos casos. Não há como sobreviver sem reduzir custos no mundo globalizado e cada vez mais competitivo. Por outro lado, empresas são feitas de pessoas. Umas mais visionárias que outras. Mas quando o real equilíbrio entre desenvolvimento e preservação do planeta virá? Reclamar dos interesses econômicos existentes, totalmente integrados aos interesses da sociedade atual, não os substitui por algo que se integre mais com as demandas de preservação do planeta.


É preciso mudar!! Mudar o que? A lógica do pensamento. A mudança virá quando a meta for fechar o balanço do uso dos recursos do planeta no detalhe, no miligrama, porque com 8 bilhões no planeta, um miligrama se torna uma tonelada. É avaliar a "real necessidade" versus o "existente". Não os desperdícios óbvios do nosso dia a dia, devido à falta de consciência e estruturas inadequadas decorrentes da inexistência de planejamento, mas sim o desperdício que "parece" detalhe. Parece detalhe! O gasto excessivo de recursos para obter "produtos de qualidade". Qualidade? Ou apenas recurso na guerra em busca de agradar o consumidor. A lógica do quanto mais melhor: mais fofinho, mais colorido, mais eficiente, mais eficaz, mais isto e mais aquilo. Tudo tem que ser "mais", mesmo que o "mais" não faça a mínima diferença para o objetivo para o qual o produto foi concebido. O mais que ultrapassa o limite do bom senso. Ganha quem tem mais poder de convencimento do consumidor.


Mas este consumidor começa a perceber que nem tudo aí colocado faz sentido. Lentamente, talvez na dimensão do miligrama, mas que aos poucos chegará a tonelada. Como dizia Fernandinho IV de Bourbon: "é mais fácil perder o trono que o hábito". Aí está o grande desafio. Para grandes empreendedores maior é o risco, maior a dificuldade. Perda da marca, do mercado e do grande negócio. Trocar o certo pelo duvidoso. Tarefa difícil, difícil. Afinal o que temos no momento claramente agrada a maioria. Mas para quem não tem mercado, ou mesmo o que tem, e é pequeno e quer expandir, aí está a saída. Por que não acreditar? A meta: avaliar o devido padrão necessário de cada produto, de cada serviço, de cada atividade e de cada hábito.


Precisa? A avaliação do balanço "gasto do recurso natural" versus "gasto real" versus" real função para o qual o produto foi concebido". Papel branco para tudo? Qual a real qualidade necessária de um papel higiênico? Todos os agregados inseridos em alguns produtos são realmente necessários (dosadores de produtos de limpeza, por exemplo)? Eu realmente preciso de um carro que corre até 250 Km/h se não há rodovia onde se possa atingir esta velocidade na maior parte dos meus percursos. Ah Fernandinho IV! Como é difícil perder o hábito! Mas como distinguir o que é ganho de qualidade e o que é apenas marketing! Tarefa difícil! Que talvez só virá na velocidade do miligrama.

 


O pequeno empreendedor não terá a chance de começar diferente? Não perderá o enorme mercado tal qual o dos produtores de eletrônicos com os carregadores com "plugs diferentes" que não agregaram nada à sociedade, mas apenas se transformaram em negócio. Sem ter onde jogar tanto lixo
eletrônico agora, por conta da questão econômica, chegam ao mercado os carregadores universais.

 

 


Não será necessário comprar um carregador novo a cada compra de um celular novo. Inquestionável que negócios geram dinheiro, que geram pesquisa, que geram desenvolvimento e que geram conforto e longevidade para a sociedade. E que não existe almoço grátis! Inquestionável que outros fatores influenciaram a produção de carregadores com "plugs diferentes". Mas a era da fartura de recursos se foi. Agora é a era do balanço prós e contras…….do um miligrama se tornando uma tonelada. É necessário perceber que produzir 1000, ao invés de 100, sai "aparentemente" mais barato, mesmo que eu só precise
de 100, apenas porque os custos da escassez dos recursos naturais não são ainda devidamente
computados. Mas a conta chegou, a água escasseou e a era da fartura acabou.

 


Nossa sorte: nosso conhecimento aumentou. Como nos ensinou Eduardo Galeano: a utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. Será mesmo utopia achar que um dia sabonetes e produtos de limpeza não terão tanta variedade de cor desnecessária, que todo acessório de produto deverá ser vendido separadamente e só os compraremos quando necessário (dosadores de produtos de limpeza, de remédio, etc), que os recursos naturais serão utilizados de acordo com as demandas reais para o produto cumprir sua função (nunca mais compraremos um papel de presente feito de material não reciclável porque aparentemente a produção é mais barata) e que finalmente o balanço gasto de recurso natural consumido versus função real do produto será considerado. Não apenas na indústria, mas nas nossas vidas. O consumidor está mudando…na velocidade do miligrama.


Micro e pequenos empreendedores: Um miligrama virará uma tonelada! A sorte está lançada, talvez para os meus tataranetos, mas o horizonte permanece me fazendo caminhar.

 

 


Suely Ferreira
Diretora na Tresi

 

Fonte: Revista Prática Empreendedora

http://praticaempreendedora.com.br/a-meta-que-nos-faz-progredir/

Publicado na edição de julho de 2015.


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